Desde 2014, comemora-se em 25 de julho o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra – em homenagem à líder quilombola que viveu no século 18. É um dia para para fortalecer as organizações voltadas às mulheres negras e levar mais visibilidade para a luta, pressionando o poder público e sensibilizando as pessoas.

Por isso, no Brasil, no Caribe e na América Latina em geral, diversos eventos como marchas e encontros estão sendo planejados para marcar a data. Saiba mais aqui.

Pensando neste dia, a redação do Nós, mulheres da periferia selecionou livros que leu recentemente e explica porquê são leituras bacanas.

Confira!

  • Mulheres, cultura e política – Angela Davis
    Editora Boitempo

No momento estou lendo Mulheres, cultura e política da Angela Davis. Davis é uma referência tanto acadêmica quanto política e ativista, é inspiradora para todas as mulheres negras. Nessa obra há diversos discursos que ela realizou em diferentes eventos e que foram compilados depois para publicação. A maioria são da década de 80 e é muito interessante porque, apesar de se referir a algumas questões pontuais, como o período político dos EUA naquele momento, ou o regime do Apartheid na África do Sul, podemos enxergar muitas semelhanças com as condições sociais de nós, mulheres negras, aqui no Brasil de hoje.
– 
Lívia Lima, de Athur Alvim, zona leste, SP

  • Americanah – Chimamanda Ngozi
    Companhia das Letras

Eu li Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie no final do ano passado. Ele conta a história de  Ifemelu, jovem nigeriana que vai para os Estados Unidos para estudar. È  uma história de amor que trata de migração, preconceito racial e feminismo. O texto te leva para junto de Ifemelu e te faz sentir amiga dela, ainda mais porque ela é jornalista e vira blogueira famosa! “Quando você é negro dos Estados Unidos e se apaixona por uma pessoa branca, a raça não importa quando vocês estão juntos sem mais ninguém por perto, porque então é só você e seu amor. Mas no minuto em que põe o pé na rua, a raça importa”.
 Mayara Penina, do Campo Limpo, zona sul, SP

  • Tudo Nela Brilha E Queima – Ryane Leão
    Editora Planta do Brasil

“Segura as pontas que você dá conta, mulher. Você não cogitou ir tão longe e mesmo assim conseguiu. É arrebatador traçar o próprio roteiro.” Esse verso é da autora Ryane Leão e está no livro “Tudo Nela  Brilha e Queima”. Eu leio e releio sempre que estou precisando me reconectar com meu amor próprio. São poemas fortes que contam sobre relacionamentos com os outros e consigo. Os versos dessa poetisa trazem, às vezes em uma pequena estrofe, um mundo de vivência de mulheres em diversos contextos. Dor, liberdade, afeto, poder e reconstrução compõem as linhas desse livro que mistura amor e luta. Cada página virada funciona como um antídoto para as dores e desafetos que muitas de nós ainda suportamos e nos conduz por caminhos que resgatam a força e potência do que é ser mulher. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o livro, a autora disponibiliza trechos da obra em sua página “Onde jazz meu coração”.
– Bianca Pedrina, de Carapicuíba, Grande São Paulo

 

  • Niketche: Uma História de Poligamia – Paulina Chiziane
    Companhia das Letras

Este livro me enredou desde as primeiras páginas. Mas, antes, preciso contar sobre a autora. Você conhece Paulina Chiziane? Ela é de Moçambique, país africano que tem o português como língua “oficial”. Paulina foi a primeira moçambicana a publicar um romance. Em suas histórias, ela aborda questões sociais de sua terra natal com forte perspectiva de gênero. Em “niketche: uma história de poligamia”, publicado em 2002, a personagem Rami se depara com um casamento que já não a acolhe. Em uma mistura intensa de sentimentos, ela decide descobrir porque seu marido não volta para casa com frequência. Nesse processo, ela se encontrará com ela mesma, com outras mulheres e descobrirá, entre tanto e tanto, a solidariedade entre mulheres.
– Semayat Oliveira, do Jardim Miriam, zona sul, SP

  • Kindred – Octavia E. Butler
    Editora Morro Branco

“Eu terei que ser uma escritora de sucesso. Meus livros irão para listas de mais vendidos, quer as editoras se esforcem ou não, quer eu receba adiantamento ou não, quer eu ganhe outro prêmio ou não. Então que seja! Eu encontrarei o caminho para fazer isso acontecer”, É o que disse Octavia Butler para perseguir seu sonho de ser escritora. Nascida em 1947, a norte-americana Octavia morreu em 2006 e foi uma das primeiras escritoras negras a ganhar notoriedade na ficção científica, que também traz como pano de fundo uma crítica ao racismo. Um de seus livros mais famosos, Kindred, foi traduzido para o português em 2017. Um calhamaço de mais de 400 páginas, o livro conta a história de Dana, uma mulher negra que é transportada dos anos 70, em Los Angeles, para o sul dos Estados Unidos, no início do século 19, em plena escravidão.

  • (Texto) “Leitoras”: gênero, raça, imagem e discurso em O Menelik

Este é um texto super bacana e importante para quem gosta de estudar história e comunicação. Giovana Xavier, historiadora e atual colunista do Nexo Jornal, publicou em 2012 um artigo acadêmico em que analisa o jornal O Menelik, um dos jornais que fazem parte da história da mídia negra no Brasil. O Menelik circulou em São Paulo entre os anos 1915 e 1916. Em seu texto, ela traz interpretações e análises sobre como as mulheres negras eram representadas e até mesmo como participaram como escritoras. É só clicar aqui.
Semayat Oliveira, do Jardim Miriam, zon sul, SP.

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