O que as queimadas do Pantanal têm a ver com os territórios periféricos das cidades? Para responder a essa e outras perguntas, a repórter e apresentadora Jéssica Moreira conversa com a bióloga Gabriela Trindade, de São Gonçalo (RJ) no 6º episódio do podcast Conversa de Portão.

Como explica Gabriela, a maior parte dos riscos ambientais decorrentes da atividade humana recai desproporcionalmente sobre alguns grupos étnicos mais vulnerabilizados, como negros e indígenas, enquanto os bônus da exploração são usufruídos principalmente pela parcela branca da população. Todas essas questões têm relação direta com o Racismo Ambiental.

Cunhado nos anos 1980 por Benjamim Franklin Chavis Jr., professor universitário e assistente de Martin Luther King Jr., o termo racismo ambiental foi comprovado por ele a partir de um estudo norte-americano que mostrou que a raça era a variável mais importante associada com a localização de lixões. O fenômeno, no entanto, já existia desde muito antes, e segue atual. No Brasil, isso atravessa toda a história do país desde 1500, explica Gabriela.

“Você tem toda uma política pública de Estado, e todo o imaginário que se entranhou na nossa cultura, na nossa mentalidade, que permite o incentivo às queimadas, que permite a violência contra população indígena. Você tem a ideia de que progresso é explorar os bens naturais, é explorar determinados grupos sócio-raciais até o nosso limite”, explica.

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