Isabelly Moreira, 17, é estudante e costuma acompanhar seu avô nas compras alimentícias mensais da família composta por seis pessoas. No mês de setembro, Isabelly tomou um susto ao se deparar com o alto preço do arroz nas prateleiras do mercado.

“Eu estou achando um absurdo, porque mês passado a gente veio aqui fazer compra e não estava esse valor. Estava muito menos. O óleo de R$4 foi para R$7. O leite está mais barato que uma lata de óleo”, diz a estudante. 

O salário mínimo não dá para você fazer uma compra hoje”, diz a moça atônita, ao olhar para os valores do pacote de arroz. “Antes, a nossa compra ficava num valor de 300 ou 400 reais. Se for comprar a mesma quantidade vai ficar num valor quase de R$600. Nem todo mundo tem acesso a esse valor.

Segundo a Pesquisa Nacional de Cesta Básica do Dieese, com base em números de julho de 2020, o preço da cesta básica paulista no sétimo mês do ano foi de R$524, o que já é mais da metade do salário mínimo em São Paulo, que varia de R$ 1.163,55 a R$ 1.183,33.

Neste mês, em sua casa, optaram por cortar alguns itens ou susbtituí-los. “Não dá pra comprar a mesma quantidade”. Quando questionada sobre a substituição, ela diz que ainda não sabem. “Esse é o problema! A gente não sabe. Não dá pra substituir o arroz. Como a gente vai trabalhar pra tentar conseguir mais dinheiro no meio da pandemia, que está todo mundo com trabalho reduzido? Ninguém consegue trabalhar normal, e comprar a mesma quantidade”.

Por que o arroz subiu tanto?

Em setembro, assim como Isabelly, o restante da população brasileira sentiu no bolso a subida dos preços dos alimentos. O arroz, um dos itens mais essenciais da cesta básica brasileira, passou de R$15 para R$25, R$30 e até R$40 em alguns casos, a depender do local e marca.

Elemento base da alimentação brasileira, o aumento do item se dá por variados motivos. Vamos entender? A subida dos preços está relacionada à demanda externa, que aumentou nos últimos tempos, em decorrência da valorização do dólar.

Galeria

Quando o dólar sobe, automaticamente o valor do real abaixa. Assim, as safras de arroz daqui ficam mais baratas no exterior, fazendo com que os consumidores externos busquem ainda mais pelo produto brasileiro.

Para os produtores nacionais, a venda fora se torna um negócio mais vantajoso, já que levam em consideração a alta do dólar. Com mais alimentos indo para fora, há menos produtos internamente, o que faz o preço subir para a população e atingir mais ainda as classes mais pobres.

Temas: