Nesta quarta-feira (12) a Coalização Negra por Direitos, que reúne 150 organizações e coletivos do movimento negro, protocolou um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Com mais de 600 assinaturas de entidades, o documento afirma que os “crimes de responsabilidade” do presidente têm piorado “a política de genocídio contra a população negra” no Brasil. Além disso, citam os “incontestáveis crimes atentatórios às instituições democráticas”.

O 56º pedido foi apresentado à Câmera Federal por volta das 11h de hoje. Em seguida, representantes fizeram um ato simbólico em frente à Câmara dos Deputados. Uma das faixas diz: ‘Fora Bolsonaro, Mourão e Centrão”. Alguns registros a seguir:

Galeria

O pedido aponta crimes de responsabilidade na violação dos direitos individuais e sociais por negligência ao combate à pandemia e na insuficiência de medidas que deveriam estar voltadas aos mais pobres, famílias negras, empregadas domésticas, trabalhadora(es) informais, comunidades quilombolas, populações rurais negras, das favelas e periferias.

A Coalizão afirma que, no Brasil, as mais de 100 mil mortes por COVID-19 têm cor, classe social e se dão em territórios de maioria negra. Os impactos sociais da crise sanitária, o desemprego e desamparo por parte do governo atingem sobremaneira os mais pobres. É negra a maioria que depende do auxílio emergencial do governo para matar a fome de suas famílias e são negros os milhares que tiveram negado o acesso a esse benefício.

Desde às 12h, uma série de manifestações favoráveis à ação começaram a surgir. Em muitas delas citam e cobram uma resposta de Rodrigo Maia, atual presidente da Câmera dos Deputados. Um dos tweets diz o seguinte: “Rodrigo Maia, é impossível ignorar a violência política que Bolsonaro comete contra a população negra”.

 

Passos anteriores  

Em junho deste ano, a Coalizão Negra por Direitos lançou o manifesto “Enquanto houver racismo, não há democracia”. Na ocasião, centenas de artistas, intelectuais e ativistas endossaram o conteúdo que, entre outros objetivos, fala sobre a importância de “rechaçar o racismo” da sociedade.

“Não há democracia sem enfrentar o racismo, a violência policial e o sistema judiciário que encarcera desproporcionalmente a população negra. Não há cidadania sem garantir redistribuição de renda, trabalho, saúde, terra, moradia, educação, cultura, mobilidade, lazer e participação da população negra em espaços decisórios de poder”, diz um trecho do manifesto.

Além disso, um texto reforça que o manifesto do Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial, de julho de 1978, já trazia reivindicações muito semelhantes como as da Coalizão na atualidade.

“É a prova de que jamais fomos ouvidos e de que sempre estivemos por nossa própria conta”, destaca.

Recentemente, o Nós, mulheres da periferia entrevistou Bianca Santana, jornalista e ativista que integra a Coalizão. Em junho, Bianca Santana entrou com uma ação por danos morais contra o presidente da República Jair Bolsonaro. Ele a citou durante uma de suas lives e associou a ela uma publicação que não é de sua autoria.

A acusação aconteceu no período em que corria o julgamento da federalização da investigação do crime da morte de Marielle Franco, que, por decisão do STJ, não se efetivou. Bianca havia publicado um texto em sua coluna no UOL questionando as relações da família Bolsonaro com os acusados.

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro se retratou da afirmação que fez em uma de suas lives, porém, o processo ainda está em julgamento. Bianca solicita uma indenização em dinheiro que pretende destinar à investigação da morte de Marielle.

 

Leia também

Bianca Santana: “É grave o presidente acusar uma jornalista de notícia falsa”