Minhas pernas estavam sobre as dele enquanto passávamos um sábado de quarentena no sofá. De repente, ele me disse: “Nossa! A polícia matou um menino chamado David Nascimento dos Santos perto do meu bairro, no Butantã”. O nome do meu namorado também é David Nascimento dos Santos. “Se minha mãe lesse essa notícia, ficaria desesperada”, continuou. 

David, um jovem paulista de 23 anos que trabalhava como vendedor ambulante e sonhava em ser cantor, foi abordado por policiais militares no dia 24 de abril. De bermuda e moletom, saiu por volta das 19h30 para buscar uma entrega de delivery para ele e Isabele Vieira, sua namorada, mas ele não voltou. 

De lá pra cá, outras histórias de mortes de homens negros foram notícia no Brasil. Os números indicam: a morte está muito mais próxima dos corpos negros do que brancos.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019, em 2018, 6.220 pessoas morreram no Brasil em decorrência de intervenções policiais. Deste total, 99,3% são homens e 75,4% são negros (entre pretos e pardos).

As mulheres negras, principais vítimas do feminicídio, com 61% dos casos em 2018, também são atingidas pela letalidade policial. Uma análise do Instituto Patrícia Galvão  a partir de dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nos anos de 2005 a 2015, indicou que foram registrados 75 mortes de mulheres em ações policiais. Destas, 52% foram identificadas eram negras.

Na comunidade LGBTQI+, a violência de estado e social também é alta. O Dossiê dos Assassinatos e da Violência Contra Pessoas Trans Brasileiras (ANTRA), indica que, em 2019, 124  pessoas Trans foram mortas. Do total, 121 eram travestis e mulheres transexuais e 3 homens trans. Destes, 82% foram identificados como negras.

O racismo atravessa o amor

“Antirracismo” parece ter se tornado um termo cada vez mais popular e o debate ganhou as redes nas últimas semanas. Mas essa discussão é recorrente entre famílias e pessoas negras.

Falando em romance, o racismo invade as tardes corriqueiras dos casais, vira pauta nos jantares, paralisa noites e causa choros e silêncios no dia a dia.

Essa pauta nasceu assim, quando escrevi para o David, meu namorado, e pedi que evitasse que suas poucas saídas durante a pandemia fossem durante à noite. Relatos de jovens negros sendo abordados por policiais por estarem de máscara, por exemplo, têm se tornado cada vez mais frequente.

A  intelectual e escritora bell hooks tem uma vasta produção que coloca o amor como um elemento fundamental na disputa política e na sobrevivência da comunidade negra. Esse conceito é amplo, vai  além do sentido romântico e considera relações entre mãe, pai e filho, por exemplo. Mas também se aplica a casais. 

No livro “Tudo sobre o amor” (2000), um dos capítulos tem o seguinte título: “Perda: amando em vida e morte”, em tradução livre. Entre tantas coisas, ela fala sobre como a cultura de dominação impõem uma constante iminência de morte para a população negra. 

Em muitas de suas elaborações, que podem ser encontradas facilmente na internet, bell hooks defende de diferentes formas que a população negra precisa combater “a falta de amor”. As relações afetivas cumprem um importante papel para superar as violências impostas por sociedades racistas.

“Muitos negros, e especialmente as mulheres negras, se acostumaram a não ser amados e a se proteger da dor que isso causa, agindo como se somente as pessoas brancas ou outros ingênuos esperassem receber amor”, escreve em ‘Vivendo de Amor’(1994). hooks encerra o texto afirmando que “quando conhecemos o amor, quando amamos, é possível enxergar o passado com outros olhos; é possível transformar o presente e sonhar o futuro. Esse é o poder do amor. O amor cura”.


O amor preto cura?

Por isso, no Dia dos namorados, namoradas, namorades, o Nós, mulheres da periferia propõe uma reflexão sobre quais são os impactos do racismo e do genocídio da população negra nas relações amorosas.

Com foco nos riscos sofridos diante da violência do Estado, entrevistamos mulheres e um homem que estão em namoros ou casamentos com homens negros e fizemos um convite para refletir sobre os medos e as potências de manterem-se juntos.

A expressão “Amor preto” é muito utilizada por casais formados por pessoas negras. Por isso, a partir daqui, você conhece histórias diferentes e, ao mesmo tempo, similares. E no final de cada experiência, cada participante responde a essa pergunta: O amor preto cura?

Confira os relatos!

Ana Paula Xongani e Rogério Ba-Senga: A gente não pode não voltar para casa

Juntos há mais de 10 anos, o casal se conheceu enquanto Rogério cursava o ensino superior no Brasil

Crédito: Arquivo pessoal

Ana Paula Xongani é formada em design de interiores, apresentadora de TV e uma das principais influenciadoras negras do país. Na sua vida pessoal, vive um casamento de mais de 10 anos com Rogério Ba-Senga, jornalista e documentarista que saiu de seu país natal, Moçambique, para se formar no Brasil. Foi assim que acabaram se conhecendo e, até hoje, moram na zona leste da capital paulista. Juntos, são mãe e pai de Ayoluwa.


“Minha primeira experiência de amor por um homem preto foi em relação ao meu irmão. Vivenciei a preocupação da minha mãe e isso ficou em mim. ‘Leva o RG. Não anda de capuz. Tá com o documento? Tem dinheiro? Não vai ficar sem dinheiro porque se você precisar, ninguém vai te dar pra pegar o metrô’, eram algumas das falas dela para ele.

Então, tudo isso já estava em mim e retomou com força quando me casei com o Rogério e percebi que existia uma fragilidade dele estar na rua. Com um agravante de que ele não nasceu no Brasil, não viveu sua infância aqui. Então ele levou um tempo maior para entender os riscos que corria. Isso gera uma segunda insegurança.

Já aconteceram situações que foram marcantes pra mim. Teve uma vez que tinha uma mulher passando por uma violência dentro de um carro, era de madrugada. O Rogério quis proteger aquela mulher e eu fiquei com medo dele bater no vidro do carro e ser lido como ladrão ou como violento, do homem branco brigar com ele ou dessa mulher branca chamar a polícia.

E eu, como mulher preta, o que fiz? Disse pra ele: ‘vai você pra casa e eu vou falar com ela’. E aí, eu me vi protegendo um homem preto e uma mulher branca. Quis tirar ele de cena.  E para muitas pessoas, principalmente quando a gente fala de mulheres brancas, isso não é compreensível. O nosso resquício de machismo diz que o homem protege.

Mas as mulheres pretas protegem seus companheiros pretos. E normalmente nós protegemos e não somos protegidas.

E sabe uma coisa que é muito louca? Eu sempre disse pro Rogério: volta pra casa cedo. E, quando ele sai, eu tenho um sono diferente, muito mais alerta. E a leitura dele por muito tempo, tanto quanto é a leitura da sociedade, é que isso significa ciúmes, o que é uma percepção do machismo. Eu amaria se fosse só ciúmes, mas antes tem o medo.

O fato da gente ter tido uma filha também mudou bastante coisa. Ter filho é uma renovação das sensações do racismo, parece que eu to me assistindo crescer de novo. O fato da Ayo ser menina afasta um pouco do medo. Se fosse menino talvez seria mais forte. Mas eu e o Rogério passamos a nos proteger muito mais.

A gente não pode não voltar para casa. Eu não vou deixar minha filha sozinha no mundo. E o Rogério também não. Então a gente faz programas que nos protegem. 


O amor preto cura?

Eu posso dizer que sim, cura. Mas não todas as feridas. Tem um trabalho que é individual e o homem preto não pode curar certas coisas pelo fato de ser homem. Então, tem coisas que só uma amiga preta, uma outra mulher negra, pode me curar. Agora, estar com alguém que entende a dor do racismo é muito mais reconfortante”.  

Nelson Pereira e Deivid Borges: amor gay

Juntos há 5 anos, ambos são apaixonados por viajar e criaram a plataforma Cheguey

Crédito: Arquivo pessoal

 

Nelson Pereira da Silva Filho, profissional de marketing, e o seu companheiro, David Borges, professor, são os criadores da plataforma Cheguey , no Instagram. Baianos, moradores do bairro Cabula Seis e estão juntos há cinco anos. Os dois são apaixonados pelo nordeste e costumam viajar muito por essa parte do Brasil. Por isso, decidiram fazer um mapeamento dos atrativos turísticos nordestinos com o recorte  LGBTQI+ .


“Eu estava pensando, quando você (eu mesma, a repórter) disse que se preocupou com o seu namorado por conta do genocídio e o fato dele ser um homem negro, sendo Cis (identidade de gênero do indivíduo com a sua configuração hormonal e genital de nascença), tudo o que você sentiu, eu sinto redobrado. Porque além de sermos negros, somos negros e gays.

Em uma sociedade como o Brasil, há muita dificuldade em ser negro,  ser gay e, no meu caso, também sou um homem gordo. Então eu sinto o preconceito de todas essas minorias em mim. E é muito difícil, mas eu não sou um negro de pele tão retinta. Meu marido é. E eu nunca sofri diretamente uma situação de racismo. Quero dizer que sem sombra de dúvidas eu sofri racismo, mas não há um episódio que tenha me incomodado muito, pessoalmente.

Estando com o David, já sofremos juntos. Em lojas e situações em que estive com ele e eu sempre fico muito incomodado. Mas a gente resiste, a gente luta muito. Sofremos também com a hiperssexualização dos nossos corpos. O corpo negro é sempre visto como viril, como o gay que serve para ser sexualmente ativo no mundo LGBT especificamente. Estar com uma pessoa que entende tudo isso que você passa e como a sociedade enxerga isso, facilita muito.

O amor preto cura?

“Eu acho que é importante e necessário, mas não sei te responder se cura. Do alto dos meus 28 anos eu não consigo me ver em um relacionamento afetivo com uma pessoa branca. Eu acho muito importante pessoas negras se relacionarem porque são dores compartilhadas e, de repente, essas dores conseguem se transformar e suprir uma lacuna ou outra”.

Juliana Maia Victoriano e Ronilso Pacheco: o ativismo em comum

Juliana e Ronilso são, juntos, importantes influenciadores no ativismo brasileiro

Crédito: Arquivo pessoal

Juliana Maia Victoriano é advogada, pesquisadora e mestranda vinculada ao Grupo de Pesquisa “Sexualidade, Direito e Democracia” pela Universidade Federal Fluminense (UFF), além disso, é ativista e compartilha de uma visão cristã que priorize o antirracismo e a igualdade em diferentes aspectos. Seu companheiro, Ronilso Pacheco, é teólogo, pastor e escritor. Assim como Juliana, também é ativista. Atualmente, desenvolve uma pesquisa de mestrando no programa Union Theological Seminary, vinculado à Universidade Columbia, uma das mais respeitadas do mundo. Por isso, os dois estão morando em Nova York junto com a Olívia, filha recém nascida do casal.


“A possibilidade do meu marido poder ser abordado violentamente, confundido ou machucado pelo simples fato de ser negro é algo que me aterroriza. Estando agora em Nova York, a gente tem sempre o costume de não sair sem o passaporte. ‘Você tem que estar com o seu passaporte, porque lá tem o visto, tem a instituição a qual você está vinculado’, eu digo.

Da mesma forma no Brasil, a questão de sempre ter um documento e estar bem vestido, como se isso fosse alguma coisa que pudesse fazer a polícia duvidar. Até vai abordar, mas talvez de maneira menos truculenta. E isso não quer dizer muita coisa. Aqui nos EUA, na semana passada, um cara do FBI foi abordado e o distintivo dele estava no bolso na calça. E até ele conseguir que os policiais o escutassem, ele foi esculachado, bastante humilhado, debochado. E quando viram que ele era um agente do FBI, o tratamento mudou.

Como mulher negra, pensando relações e afetos, com certeza a violência do Estado atravessa. É inevitável pensar que seu marido vai fazer alguma coisa, um exercício físico ou trabalhar, ele corre o risco de ser abordado. E é interessante pensar o fato de sermos pessoas influentes e como a gente também tem bolhas. A nossa influência acontece dentro de um espaço de pensamento negro, de autocrítica negra, de construção racial, de relações e soluções antirracistas. Então a gente a gente ainda está muito limitado.

E é fundamental pensar que o estado é um domínio da branquitude. A nossa influência não é o suficiente para que o Ronilso não seja abordado. Talvez, a gente tivesse condições de publicizar essa violência que, eventualmente, seja fora do que a lei determina. Mas a abordagem vai acontecer.

Antes eu tinha receio da atividade pública do Ronilso. Medo que os atos e questionamentos da violência policial pudessem fazer com que ele fosse alvo de represália. Quando a Marielle morreu, eu falei para ele parar com tudo. Eu dizia pra ele que a gente publicava os atos com endereço e horário, todo mundo sabia quem era ele, mas ele não sabia quem estava nos atos.

O amor preto cura?

Cura. Sabendo que o amor é um ato político, uma decisão, uma escolha. Amor preto é valorizar sua ancestralidade e a sua história. Amor preto é compartilhamento de valores e princípios, comunhão de um horizonte ético.

Ayeska Candido e Gilmar de Jesus Pereira: um pelo outro

Ayesca e Gilmar estão juntas há 10 anos e entendem o ato de ter uma filha preta como um ato político

Crédito: Arquivo pessoal

 

Ayeska Candido Ferreira é assistente social formada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Ela atua como liderança em uma instituição de saúde e, durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, desempenha uma das atividades mais essenciais para o combate da crise. Gilmar de Jesus Pereira é advogado formado pela Faculdade Zumbi dos Palmares e capoeirista por paixão. Juntos desde a época da faculdade, a união já completou 10 anos. Moradores do bairro São Miguel, na zona leste de São Paulo, a família cresceu há alguns anos, quando receberam a filha Ayan.


“Eu não me lembro de não ter medo do Gilmar chegar tarde em casa. Nós já tomamos várias abordagens policiais juntos. Quando eu conheci o Gilmar ele fazia faculdade na Zumbi dos Palmares, que é uma instituição de acesso à educação para a população negra, todos os amigos dele eram negros e a gente via que era muito difícil as pessoas se manterem ali, especialmente no curso de direito.

Eu estudei no período da manhã na PUC e na minha sala tinham só três alunas negras, contanto comigo. No começo da nossa relação, ele falou pra mim: ‘eu fui salvo pelo rap, eu sou um sobrevivente, porque a minha vida foi muito dura’. Ele conheceu e acessou a educação e a faculdade muito depois de mim. Eu comecei o ensino superior com 17 anos, ele com 22. Depois de já ter trabalhado em metalurgia e tal.

Assim como os números mostram, as mulheres negras chegam à universidade mais cedo por conta do genocídio e da violência. O cotidiano que ele vivia era muito mais difícil do que o meu, por exemplo. E na nossa relação isso sempre foi pauta. Hoje em dia, nós dois temos cursos universitários, uma casa própria. Mas por conta da faculdade que eu fiz, do meio que eu vivi, minha carreira profissional alavancou mais rápido que a dele.

Ele é um profissional autônomo e este mês faz um ano e dois meses que ele está desempregado. Ser um advogado negro nesse pais é muito difícil, principalmente usando dreads. A gente já não é aceito, ainda mais quando a gente se impõe como resistência.

Falamos um para o outro: ‘é um pelo outro e a gente ainda vai chegar muito longe’. Porque a maior parte da sociedade não quer isso. Então a gente tem que querer. Quando eu fiquei grávida, isso veio forte, muito mais em mim. A primeira coisa que eu senti quando descobri que estava grávida foi medo.

Eu pensei: ‘que merda que a gente fez. A gente não pensou em poupar essa criança de tudo que a gente já viveu’. E aí ele falou: ‘ela vai passar por tudo isso, só que a gente passou com duras penas, nossos pais não tinham condições de dar pra gente o que podemos dar pra Ayan hoje’.

E o que a gente quer é que a Ayan consiga falar, que ela tenha voz, que ela dê resposta. Não quero passar medo pra ela, quero passar o poder dela se colocar.  Então a gente tem que tomar muito cuidado porque eu tenho uma criança preta para criar e ela tem um papel nessa sociedade. Isso é obrigação minha e do Gilmar. Eu não posso fracassar com a Ayan. Nossos pais fizeram a gente chegar aqui, então eu não posso enfraquecer. Eu tenho que transformá-la em uma grande mulher. É um ato político ter filhos pretos.

Ao mesmo tempo, o medo da solidão é real. Principalmente depois de ser mãe, meu corpo mudou e a sociedade exige um outro corpo. E se essa relação acabar? Eu vou ficar sozinha? Essa também é uma pauta na nossa relação. E é muito mais fácil eu falar isso pra você que é preta e para outra irmã que também é preta do que falar isso paro meu parceiro. Eu faço esse exercício aqui em casa hoje porque estamos juntos há 10 anos. Isso foi conquistado, foi aos poucos. Mas também depende da gente, se cuidar e se olhar mais”.

O amor preto cura?

Cura, se a gente se posicionar para se curar, porque a cura é interna. Seja no amor preto ou em outro amor. A cura é de dentro pra fora. E a gente precisa disso porque a gente tá ferido de coisas de muitos anos atrás, sabe? Então a gente precisa se propor a essa cura.

Andressa Castro e Saman Ferreira: amar um homem trans

Juntos há cinco meses, cresceram no mesmo bairro e têm semelhanças na trajetória

Crédito: Arquivo pessoal

O casal mais novo dessa reportagem. Andressa Castro, 20, concluiu o Ensino Médio em 2019 e continua os planos para seus estudos. Saman Ferreira, 22, é bacharel em Humanidades, graduando em Serviço Social pela Universidade Federal da Bahia e escritor. Moradores de Águas Claras, bairro de Salvador que é majoritariamente negro, estão juntos há cinco meses.


“Eu tenho uma preocupação em dobro pelo fato de Saman ser negro e ser um homem trans, tem esses dois lados de raça e gênero e isso é bem preocupante. A gente vive em um bairro da periferia aqui de Salvador e estamos, o tempo todo, à margem e mais vulneráveis às violências.

Tenho um constante medo e preocupação em relação a ele, sempre tomamos as precauções e prestamos atenção sobre onde estamos indo. Aqui no nosso bairro a polícia quase nunca vem, quando vem é com extrema violência, nunca é tranquilo. Mas o medo que eu sinto é da sociedade em geral.

Saman sempre viveu no mesmo bairro. As pessoas conheceram ele de uma forma e hoje em dia o veem de outra. Temos receios dos ataques, até mesmo verbais. A gente sempre ouve piadas quando passamos na rua, vizinhos falando. É uma preocupação para gente. Fisicamente nunca aconteceu, ainda bem.

Com relação ao machismo, no meu relacionamento tem uma diferença. Por Saman ser um homem trans a masculinidade dele está constantemente sendo construída. E ele já viveu coisas antes, então ele sabe como falar, como se portar, o que dizer ou não.

O amor preto cura?

Sem dúvida nenhuma. Saman é meu primeiro namorado e quando começamos o namoro eu vi a diferença de uma relação afrocentrada. Que é o cuidado, ele saber e entender das minhas vivências e eu as dele. É muito importante essa relação que a gente tem sobre família também. As nossas famílias são bem parecidas. Mão solteira, moram na periferia, temos uma história parecida em relação a isso.

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Sobre a autora:

Semayat S. Oliveira

Semayat Oliveira, jornalista e moradora do Jardim Miriam (ZS)