No ano passado eu escrevi um texto por aqui que até hoje sempre provoca reflexão e repercussão. Contei um pouco sobre minha experiência ao conviver com meu pai, e as dificuldades da nossa rotina na divisão dos trabalhos domésticos, entendendo que para as frações mais antigas é difícil o homem compreender esses trabalhos com sua responsabilidade.

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Acho que meu pai, porém, merecia uma retratação, após mais de um ano, pois em algumas coisas nós avançamos bastante.

Já faz algum tempo que meu pai começou a perceber que eu estava sobrecarregada, conciliando os cuidados da casa, a rotina do trabalho, minhas atividades “militantes” (vulgo trabalho quase sempre sem remuneração), além, é claro, de um tempinho para vida pessoal.

Daí que ele se mostrou mais solícito quando eu pedia algum favor e, aos poucos, eu comecei a entender que ele poderia me ajudar mais.

Nesse ano, no dia internacional da mulher, após fazer a comida, soltei: “hoje a louça é sua”! Acho que esse pequeno gesto foi revelador para ele. Desde então, ele que sempre lava a louça? até quando eu não peço diretamente (mas ainda é sempre bom dar um toque).

Achei importante relatar aqui esse processo que estamos  vivenciando e aprendendo juntos porque não devemos focar apenas nas mazelas e dores que nós mulheres passamos, mas é bom compartilhar as vitórias e os pequenos avanços.

Se meu pai, com 67 anos, se sensibilizou, e passou a ajudar (ainda que em condições desiguais, pois a mim cabe a maior parte do serviço doméstico), todos os homens dispostos também conseguem.

Às mulheres que dividem seus lares com os homens, sejam eles maridos, irmãos, pais, tios, primos, amigos, filhos, deixo essa mensagem de esperança. Vale a pena acreditar no diálogo honesto, e partilhar suas insatisfações. Hoje, meu pai é mais parceiro. Estamos jogando no mesmo time!

 

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Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.

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