Isabella Oliveira, 19, fotógrafa, nasceu em Perus e mora na Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo. Seu relato faz parte do especial “Ser LGBT+ na periferia”. Clique aqui para ler o conteúdo completo.

Eu não lembro dos meus sonhos de infância na verdade, mas hoje em dia eu sonho em arrumar um emprego e poder ficar tranquila na minha casa com minha esposa. Queria conseguir virar professora de fotografia também, mas isso só mais para frente.

Na infância, eu vivi como as outras meninas, só nunca foi de forma tão intensa. Eu demorei para começar a me relacionar com as pessoas. Mas sempre achei que fosse hétero, tanto que a primeira pessoa com quem fiquei foi um menino e eu namorei com ele durante nove meses.

Eu nunca tinha parado para pensar sobre minha sexualidade. Até porque se eu descobrisse mais nova eu negaria até não poder mais, simplesmente por não aceitar.

Então, eu contei primeiro para as minhas irmãs, porque conheci uma menina e comecei a me apaixonar por ela, e foi aí que eu percebi que era lésbica.

“Pra mim, o maior dos desafios foi enfrentar minha família”

Crédito: arquivo pessoal

Quando eu contei pra minha mãe não foi nada fácil, mas prefiro não dar detalhes sobre essa fase.

Sobre ser lésbica na periferia eu só sabia que era mais um motivo para eu descer na “pirâmide” de privilégios sociais. Não sei, é um agravante de tudo que eu já estava fadada a sofrer.

Pra mim, o maior dos desafios foi enfrentar minha família. Acho que só consegui e consigo me manter forte até hoje através do amor, dos meu amigos, das minhas irmãs, da minha esposa. Sempre que eu caio eles estão lá.

É impossível dizer de forma gera o que é ser uma mulher lésbica, até porque a experiência é diferente para cada uma. Mas, para mim, é terrível, porque mesmo estando casada eu preciso carregar o medo de mostrar quem eu sou, então eu me escondo.

Há meses eu não sei o que é andar de mãos dadas com a minha esposa, ou conhecer alguém e dizer que ela é minha mulher. Tudo isso por medo, medo das pessoas do governo e por aí vai.

 

 

 

 

 

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