O dia 26 de julho é, historicamente, marcado como o Dia da Rebeldia Cubana. São 67 anos desde o assalto aos quarteis da Moncada e Carlos Manoel de Céspedes. Esse foi o pontapé para o início da luta armada contra a ditadura de Fulgêncio Batista, que recebia apoio dos Estados Unidos. Castro, seu irmão, Raul Castro, eram parte do grupo de 131 jovens que organizaram a ação e que, mais tarde, ficaria conhecido como o Movimento 26 de Julho. Fidel. Mesmo não saindo vitoriosos,  foi esse levante que deu origem à Revolução Cubana , que culminou com a destituição de Batista em 1 de janeiro de 1959.

Em março de 2017, eu e outra amiga jornalista, a Cecília, decidimos passar férias em Cuba, passando quase 15 dias em Havana, a capital, e Trinidad, cidade muito parecida com Paraty (RJ). Abaixo, eu relato um pouco do que vi, mas lembrando que isso não representa a totalidade, uma vez que passei tão poucos dias no país. Portanto, vão para Cuba, sim, e descubram ainda mais sobre esse país, que deveria ser a capital do mundo.

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Era a primeira vez que eu conhecia outro país latino-americano além do Brasil. É curioso como o meu cérebro prontamente se reconheceu em casa e, de repente, eu entendia naquela viagem o significado de ser uma mulher negra vivendo na América Latina. O portunhol foi ativado, eles fingiam que me entendiam, e eu também, mas todos se comunicavam. Eu passei dias sonhando em Espanhol depois.

Tinha algo que me conectava às pessoas. O jeito acolhedor, os sorrisos, a vontade de saber as histórias, as minhas ou a deles. Tudo isso ia me deixando muito à vontade. Se não fosse o Malecón — a beirada entre a rua e o mar azul, onde o povo em Havana se encontra em qualquer horário do dia — eu acho que teria até confundido. Brincadeira.

Conversei muito com as mulheres, os jovens e os taxistas. Desses, todos e todas concordavam que a educação de cubana era seu carro-chefe. Muita gente que tomei prosa era formada em medicina ou queria estudar medicina. Inclusive o segurança da sorveteria Cornélia (que saudade do sorvete de laranja), que tinha muito orgulhoso da profissão, mas, naquele momento, estava achando mais rentável ser segurança.

No primeiro dia, sentei na beirada do malecón, fiquei observando a juventude com seu rum e reggaeton ligado no rádio. Trocamos umas ideias. Todo mundo cheio de sonho: ser professor, engenheiro, médico. E o senso de humor lá em cima: “moça, viva la revolución” e davam risada da turista que era eu.

Não tinha internet em qualquer lugar ainda. Era preciso comprar uma tarjeta e sentar em praças específicas para usar as redes sociais ou conversar pelo WhatsApp. Esses espaços também eram lugares de interação. Lembro que, ao perceber meu sotaque, as pessoas me perguntavam o que iria acontecer na novela, isso porque eles amam as novelas da Globo por lá. E amam o Brasil e sonham em vir pra cá.

Além do mesmo gosto dramatúrgico, aos pratos locais se assemelham muito aos nossos. Arroz, feijão e carne, noutras vezes peixe ou frango, mas tudo que já me fazia lembrar a gente. Com pouco dinheiro se come bem. As religiões afro têm muito lugar.

A santeria. Muita gente, muita gente mesmo veste branco, inclusive nas baladas — os jovens não precisam ter medo de viver sua fé. Mas tem suas complexidades, como aqui ou qualquer outro lugar.

Nunca fui tão assediada na rua. Ao mesmo tempo, o índice de violência contra a mulher é um dos mais baixos e o de assalto também. Tem gente infeliz com as más condições de trabalho e salário curto, como a guardadora da entrada do sino de Trinidad. Outras, muitas, enfurecidas com o bloqueio econômico dos yankees. Mas há taxistas com bandeirinhas dos EUA penduradas que sonham em ir pra lá.

Os mesmos amam Fidel. A vida real, o povão, é menos 8 ou 80, sabe? E mesmo sendo a imagem de Fidel que permeia toda e qualquer esquina, a fotografia do povo cubano, pra mim, é a do povo preto.

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