Lugar de mulher é no sarau

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histórias 

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A poeta e escritora Jenyffer Nascimento, moradora do Jardim Ibirapuera, se descobriu poeta frequentando saraus. Ela é um dos principais nomes da literatura periférica.

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Estar nos saraus e ocupar esses espaços, que eram majoritariamente ocupados por homens, foi desafiador.

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A partir de uma provocação feita em um sarau que frequentava, de que as mulheres ali só batiam palmas e não recitavam poemas, veio o alerta para que outras, assim como ela, ocupassem esse espaço.

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“Criamos um motim de mulheres e foi a primeira vez que a gente recitou no sarau, conscientemente, com essa revolta. Vocês não estão vendo a gente?”

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Jenyffer conta que no Sarau do Binho teve um dia de recitar poemas inéditos. Ela refletiu que todos os seus poemas eram inéditos, mas nunca tinha recitado.

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Ela conta que a partir disso, recitou um poema e sentiu-se mais à vontade para colocar o nome na lista e ler suas obras.

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“Eu lembro que foi muito impactante. Fui lá e disse: olha, você pode colocar meu nome na lista hoje. A Cooperifa tem uma lista de poetas. Tinha muita gente e me chamaram”.

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Jenyffer explica que o ser coadjuvante eram mulheres que estavam na produção, pensando nos eventos, na efervescência do território, nas quebradas.

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“É importante lembrar que o sarau sempre foi um espaço de mulheres também. A leitura é: os homens protagonizam, as mulheres são coadjuvantes”.

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“A cena era constituída majoritariamente por homens (...) as coisas eram meio como eram como é a própria sociedade”

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Reconhecer-se  poeta também foi um caminho construído, já que quando questionada ela só dizia que escrevia.

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Jenyffer aponta que homens tinham mais facilidade de se afirmarem como poetas. Sua desconstrução veio a partir de publicações conjuntas a outras mulheres.

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Jenyffer aponta que homens tinham mais facilidade de se afirmarem como poetas. Sua desconstrução veio a partir de publicações conjuntas a outras mulheres.

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“Se você não pega aquele título pra você, não reconhece a força que é ser uma escritora periférica e preta, é quase como você negligenciar uma história que é coletiva”.

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Essas e outras histórias compõem a série Poesia Delas: mulheres que fazem poesia e produzem a cena literária da periferia de SP.

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