Em sua quarta edição, a ‘Mostra de Criadoras em Moda: Mulheres Afro-Latinas’ é a junção de cinco ateliês da capital paulista com o objetivo de criar uma coleção exclusiva. O projeto propõe abrir espaço para pensar e fazer moda a partir de uma perspectiva mais democrática e inclusiva.

O pré-lançamento, em formato de bate-papo, ocorre no dia 9 de março com as convidadas Goya Lopes, designer de superfície e artista plástica, e Julia Vidal, designer de moda. No dia 17 do mesmo mês, acontece um desfile a céu aberto na região central de São Paulo. Nas três primeiras edições, cada equipe trabalhou em sua própria coleção, separadamente, para um desfile único ao final.

Desta vez, a estratégia mudou, todas as etapas foram desenvolvidas coletivamente com os ateliês Abayomi Ateliê, África Plus Size Brasil, Candaces Moda Afro, Cynthia Mariah e Xongani e contam com a presença do público.

Foto: Semayat Oliveira

Crédito: Semayat Oliveira

Neste ano, optaram por não usar o termo ‘modelo’, mas ‘mulheres desfilantes’. Além disso, as organizadoras não usam ‘looks’ para definir as peças, preferem criações. “Tudo isso faz parte de um processo de abrasileirar nossa moda, que também é nutrida por África e referências indígenas. A moda precisa expressar outras vivências, outras memórias, outros corpos. Esse é o nosso objetivo”, afirma Pamela Rosa, do Abayomi Ateliê.

Os grupos definiram duas linhas condutoras para a coleção. Todo o trabalho deverá expressar a conexão entre africanidade e afro-brasilidade, bem como percorrer uma trajetória que nasce em referências ancestrais até o futurismo.

“Elementos religiosos, os blocos afro dos carnavais, ícones como Maria Bonita e a expectativa de um futuro com mais liberdade e menos regras sociais de comportamento são algumas de nossas inspirações”, diz Ana Paula Mendonça, co-fundadora da marca Xongani.

Foto: Nina Vieira

Crédito: Nina Vieira

Segundo a estilista Cynthia Mariah, a coleção é atemporal e não segue as tendências atuais, já que são muito eurocêntricas. “Pesquisamos elementos da nossa latinidade. Estamos trabalhando com algodão cru, chita, richelieu e estamparia artesanal, por exemplo. São materiais vivos em nossas memórias e identidade”, explica.

A proposta é que a passarela seja um território que demonstre humanidade para além da exibição nos palcos. Para isso, as roupas foram feitas a partir das histórias de vida das mulheres que irão vesti-las.

O intuito é contrariar a ideia de que a criação seja mais importante e que modelos são ‘cabides’. “São mulheres reais do ponto de vista estético. Negras, gordas, trans; são donas de casa, trabalhadoras. Queremos que as peças representem suas histórias”, conta Ana Cristina Neves, da marca Candaces.

Além disso, Luciane Barros, do África Plus Size Brasil, aponta que é importante que a moda seja pensada para corpos gordos desde o início. “No começo, o desfile de peças para esse público era separado. Isso estava errado. Hoje, todos os ateliês planejam suas produções pensando na pluralidade dos corpos. Isso é um pré-requisito”.

MOSTRA DE CRIADORAS EM MODA: MULHERES AFRO-LATINAS NO SESC 24 de MAIO

Pré-lançamento: Coleção 2017/2018 – Mostra deCriadoras em Moda
Bate-papo com Goya Lopes e Julia Vidal
Dia: 9 de março de 2018. Sexta, 20h às 22h
Local: Teatro – 1º subsolo (216 lugares) Retirada de ingressos com 1h de antecedência no.
Livre\Grátis

Desfile das Criadoras
Dia: 17 de março de 2018. Sábado, 16h às 18h
Local:
 Rua Dom José de Barros Livre Grátis
Livre\Grátis

Temas:

Sobre a autora:

Semayat S. Oliveira

Semayat Oliveira, jornalista e moradora do Jardim Miriam (ZS)

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Comentários:

  1. Olá Semayat!Moro ZS Grajaú, faço customização em Ecobags , camisetas … minha página no Facebook é C’ROMANO Camisetas e bolsas Afro, gostaria muito de entrar em contato com algum ateliê e formar uma parceria,me agradaria muito mostrar meu trabalho e difundir a cultura negra . Obrigado,tenha uma excelente tarde!