Nós, mulheres da periferia

#Deixaameninajogar: quem são as Martas da periferia?

Esporte e gênero

Uma parceria Portal Lunetas, Think Olga e Nós, mulheres da periferia

 

Rafaela Silva, Marta Vieira da Silva, Ana Moser, Maria Lenk, Serena Williams. Você reconhece estes nomes?

Em parceria com o Portal Lunetas e o Think Olga, o Nós, mulheres da periferia preparou este especial sobre meninas no esporte. O objetivo é contar histórias de mulheres e meninas que lutam contra o machismo ocupando quadras, campinhos, tatames e ruas nas periferias e debater sobre quais os referenciais que as mulheres recebem, desde a infância, sobre a presença feminina no universo esportivo. Quais são os ídolos que contribuímos para formar, e por que alguns têm mais prestígio que outros?

Falamos sobre a importância do esporte no desenvolvimento das crianças, abordamos a questão do gênero no esporte a partir de uma perspectiva histórica e social, mapeamos perfis de pessoas e projetos que incentivam a participação feminina no esporte, e trouxemos experiências em vídeo das próprias meninas contando sua experiência no jogo. Navegue pelos nossos conteúdos, e nos ajude a espalhar o desejo de conversar sobre isso na rua, em casa, na escola e no campo.

Para nos ajudar nesta campanha, contamos com a parceria de uma das maiores atletas do Brasil. Daiane dos Santos foi a primeira ginasta brasileira a ganhar uma medalha de ouro no Campeonato Mundial, idealizou e hoje é gestora do projeto Brasileirinhos, que oferece aulas de iniciação à ginástica olímpica para crianças e adolescentes no CEU (Centro de Educação Unificado) Paraisópolis, zona sul de São Paulo. Na entrevista, ela conta sobre sua infância como ginasta, fala sobre a importância do esporte para as crianças e os impeditivos de gênero para que as meninas sejam quem elas quiserem,

“A persistência e a força de outras pessoas foi meu diferencial. A todo momento tive pessoas que acreditaram em mim. Não é fácil, mas não tem melhor recompensa do que ver que você chegou no seu objetivo”, relembra a atleta, que começou a treinar por iniciativa de uma professora.

Copa do Mundo feminina 2019

 

Nossa motivação para falar do tema é a Copa do Mundo Feminina, que começa no dia 7 de junho. Será a primeira transmissão da competição em TV aberta no Brasil, um marco para a trajetória das mulheres no esporte. Mas e as crianças, como elas percebem esse fenômeno? O que pensam ao ver um ícone mundial como Marta em campo e mesmo assim se perguntar: “Quem é ela?”. Qual o papel de todos e de cada um para naturalizar a presença das mulheres nas práticas esportivas desde a infância?

Entendendo a infância como período de formar e fortalecer as bases de identidade de um sujeito, queremos promover um debate saudável sobre igualdade de acesso e oportunidades para que meninas e meninos possam descobrir suas potências. Explorar e descobrir possibilidades de ser deve ser um direito de todas e todos, sem distinção de gênero, raça ou classe social.

Junte-se a nós na campanha #Deixaameninajogar. Utilize as hashtags nas redes para mapear e espalhar o nosso conteúdo. Dentro ou fora das quadras, lugar de menina é onde ela quiser.

"“O esporte pra mim é um jeito de mostrar o que eu tenho de melhor - como ser humano, como atleta, como mulher. Quando eu fui a melhor do mundo, eu não acreditei"

Daiane dos Santos

Histórias de meninas que jogam na periferia

Neide Santos: a mulher que faz 700 pessoas correrem no Capão Redondo

Time da Amizade: ‘o futebol é nosso remédio’

Juh na várzea: o futebol pelas lentes de uma mulher

Poesia nos pés: jovem de Parelheiros incentiva leitura e esporte

Do futebol ao handebol: jogar foi meu primeiro grande trabalho em grupo

Meninas no tatame: projeto incentiva prática de jiu-jitsu na perifeira de SP

Coisa de menina

Por que as meninas praticam menos esporte?

Em 2015, a Organização das Nações Unidas lançou a campanha global Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, também conhecido como Agenda 2030. Tratam-se de 17 metas em diversas áreas, como educação, saúde e meio ambiente.

Estava lançado ali um convite de projeção global para que países de todo o mundo se mobilizassem. O intuito é que, nos próximos 15 anos, estivessem contemplados os direitos básicos para a existência na terra. O objetivo número três diz respeito diretamente à promoção da saúde física por meio do esporte e lazer: “Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”.

“Precisamos de ação, ambição e vontade política. Mais ação, mais ambição e mais vontade política”, disse o secretário-geral da ONU, em relação às ODS.

Quatro anos depois, às vésperas da Copa Mundial Feminina, como estamos? Que incentivos e subsídios as meninas recebem para se dedicarem ao esporte hoje no Brasil? Os três ingredientes listados pelo secretário bastam para alcançar o objetivo da representatividade feminina no esporte? O que existe de ação e vontade política para que essa igualdade no esporte se concretize?

Neste capítulo, falaremos sobre os diversos entraves que dificultam e muitas vezes inviabilizam a entrada de meninas no universo esportivo. Afinal, falar sobre infância e esporte é falar sobre gênero. Preconceito, cobrança redobrada, desconfiança, bullying, abusos de poder: quais são os obstáculos sociais e emocionais que as crianças precisam vencer antes mesmo de entrar em campo?

Leia o texto completo no Portal Lunetas

"“A escola precisa ser um espaço democrático e inclusivo, que defenda os direitos das mulheres”"

Vanderson Berbat, diretor do Impulsiona Educação Esportiva

Educação Física é coisa de menina

 

“Menina não sabe jogar”; “Mas você entende mesmo disso?”; “Quero ver se você sabe mesmo”.

Essas são algumas das negativas que meninas e mulheres recebem quando resolver se lançar em algum esporte. Puxando pela memória, é provável que você já tenha experenciado na pele ou presenciado uma história de exclusão em função do gênero, seja ela simbólica ou prática, real ou sugerida.

Para entender mais diretamente como o gênero afeta a relação das meninas com o esporte, o Lunetas conversou com Luciano Corsino, Doutor em Educação pela Unicamp e pesquisador do Flores Raras: Grupo de Estudos e Pesquisas Educação, Comunicação e Feminismos, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ao lado da pesquisadora Daniela Auad, ele conduziu a pesquisa Questões de Gênero na Educação Física Escolar.

Lunetas – Quando não recebem estímulo, as meninas podem se desinteressar pelo esporte na infância de forma permanente?

Luciano – É importante pontuar que o gosto pelas diversas manifestações da cultura corporal de movimento também é construído. O contato, não apenas com os esportes, mas com os jogos, brincadeiras, lutas, danças e ginásticas, desde cedo, é importante porque permite às crianças experienciar os movimentos e conhecer essas manifestações, mesmo que de forma adaptada às suas idades. Ao não serem encorajadas a praticar as manifestações da cultura corporal de forma diversificada, além de maior dificuldade na construção de repertório motor, as meninas apresentam maior probabilidade de não demonstrar interesse pelas manifestações ao longo de suas vidas. Um exemplo clássico é a falta de interesse da maioria das meninas pelo futebol e da maioria dos meninos pela dança. Geralmente, aquelas meninas em que a família permite brincar na rua, jogar futebol e brincar com os meninos desde cedo, tendem a construir um maior repertório motor, tornam-se mais habilidosas e acabam desenvolvendo o gosto por uma gama maior de esportes e outras manifestações.

Confira a entrevista completa aqui

Vídeos, arte e infografia – Jay Viegas

Textos – Lunetas: Mayara Penina e Renata Penzani
Nós, mulheres da periferia: Bianca Pedrina, Jéssica Moreira, Lívia Lima, Regiany Silva e Semayat Oliveira


Design e Desenvolvimento: Digimag