No dia 13 de Julho (sexta-feira), às 20h, o Grupo Pandora de Teatro estreia o espetáculo COMUM na Ocupação Artística Canhoba – Cine Teatro Pandora, atual sede do grupo que fica no bairro de Perus, na região noroeste da cidade de São Paulo.

COMUM tem como eixo norteador o período ditatorial brasileiro e a descoberta da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco em 1990, local que fica a cerca de 2 quilômetros da Ocupação Artística Canhoba. Uma vala comum com mais de mil ossadas, onde foram identificados desaparecidos políticos e cidadãos mortos pela violência da ditadura militar.

A revelação da existência de uma vala clandestina dentro de um cemitério oficial, desencadeou um processo de busca da verdade sem precedentes no país. A vala comum do Cemitério Dom Bosco foi apresentada ao mundo como um dos muitos crimes cometidos pelo regime surgido com o golpe de estado de 1964, e trouxe a crueldade da ditadura militar à tona no começo dos anos 1990. Até ali, o desaparecimento de pessoas, os falsos tiroteios e atropelamentos, as marcas de tortura e dores da perda, pertenciam apenas ao universo dos familiares, sobreviventes e amigos.

O espetáculo é formado por fragmentos de três histórias que se relacionam e se complementam. A primeira se passa no final dos anos 80, quando um jovem precisa passar por diversos obstáculos e conflitos para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de seus pais, envolvidos com atividades de movimentos revolucionários na época da ditadura militar.

A segunda, inspirada nos coveiros da peça Hamlet de William Shakespeare, se passa nos anos 70 e retrata de forma cômica o universo de dois coveiros que recebem uma estranha tarefa: cavar uma vala enorme, de tamanho desproporcional.


A terceira é a historia de Beatriz Portinari e seu namorado, Carlos. O casal é retratado desde o primeiro encontro, as atividades politicas na faculdade em pleno período da ditadura militar, até a transformação desta garota comum em uma integrante do Movimento Estudantil. Seus ideais, contradições, sua prisão e o nascimento de seu filho.

Com este espetáculo o grupo referencia a memória do bairro de perus e convida a população a conhecer uma parte da história do Brasil esquecida ou pouco valorizada.

O espaço onde será encenado o espetáculo, a Ocupação Artística Canhoba, atualmente é gerido pelo Grupo Pandora de Teatro.  Foi construído em 2010 pela Prefeitura de São Paulo para abrigar um Ponto de Leitura da cidade. Porém a obra foi paralisada e o espaço nunca chegou a cumprir função social. Abandonado e degradado, acabou virando ponto de encontro de usuários de drogas, trazendo medo e incomodo para a população local.

Em Fevereiro de 2016, com a colaboração dos moradores locais e com a ajuda de diversos coletivos, o Grupo Pandora realizou a revitalização do espaço e o transformou em um polo cultural que recebeu o nome de Ocupação Artística Canhoba – Cine Teatro Pandora.

A população do bairro passou a ser frequentadora assídua do espaço e a usufruir de atividades como oficinas, debates, exibições de cinema e apresentações artísticas. Hoje, o espaço também é utilizado como sala de ensaio por diferentes coletivos.

Desde a sua criação, o espaço estabeleceu uma grande conexão com o território que o cerca e com a população local, assim como o Grupo Pandora, formado predominantemente por moradores de Perus. Com seu novo espetáculo, o grupo segue em sua pesquisa com temas relacionados à história do bairro.

A temporada de estreia de COMUM faz parte das ações do projeto contemplado na 30ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, e conta com apresentações também no centro da cidade. Em Agosto o grupo se apresenta no Teatro de Container, no bairroSanta Ifigênia, em Setembro na sede da Companhia do Feijão (República), Outubro e Novembro na Oficina Cultural Oswald de Andrade(Bom Retiro). Além de apresentações em outros locais com datas ainda a definir.

Em 2018 o Grupo Pandora de Teatro comemora 14 anos de um trabalho contínuo de pesquisa e criação teatral no bairro de Perus, fortalecendo parcerias com polos culturais, artistas da região e com a própria população.

Compõe seu repertório também o espetáculo “Relicário de Concreto” (2013) inspirado nas memórias dos trabalhadores da Fábrica de Cimento Portland Perus e na Greve dos Queixadas, que ocorreu na Fábrica e durou sete anos. Além de ter lançado um livro chamado “Efêmero Concreto – Trajetória do Grupo Pandora de Teatro” organizado por Thalita Duarte e Lucas Vitorino, que destaca as ações do grupo fomentando a cultura no bairro e atuando em prol da revitalização da Fábrica de Cimento Portland Perus.

Mais informações em:

 

Temporada: de 13 de julho de 2018 a 04 de agosto de 2018

Dias e Horários: sextas às 20h e Sábado às 19h

Duração: 100 min

Faixa etária: 12 anos

Local: Ocupação Artística Canhoba – Cine Teatro Pandora – Endereço: Rua Canhoba, 299 – Perus. São Paulo/SP.

Preço: Contribuição voluntária 

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